Mulher em Travessia por Adriana Arcazas
Esta exposição não nasceu de uma ideia. Nasceu de um corpo.
Nasceu das noites em que o sono mudou. Do calor que subiu sem pedir licença. Do espelho que devolveu outra mulher. Precisei aprender a não chamar de perda aquilo que era transformação.
A menopausa chegou como silêncio, mas dentro de mim havia ruído. Perguntas. Medos. Revisões. Percebi que quase ninguém falava disso com verdade. Falavam de sintomas. Falavam de hormônios. Mas não falavam de identidade que se desloca.
Esta exposição nasce do desejo de abrir essa conversa. Sem drama. Sem vergonha. Sem romantização. Com lucidez.
Quero alcançar a mulher que acha que está sozinha. Quero alcançar a mulher que sente o corpo mudar e não encontra linguagem. Quero alcançar a mulher que fo ensinada a desaparecer depois dos cinquenta.
Aqui, ela não desaparece. Aqui, ela é vista.
A menopausa não é apenas um evento biológico. É uma travessia psíquica. É um luto discreto. E uma reorganização da própria história.
Eu também atravessei. Ainda atravesso.