‘Temos que nos unir para poder flexibilizar’, diz Dilador

Todos os dias, a reportagem da Folha da Região recebe e-mails, mensagens por aplicativos e telefonemas de leitores, que são empresários, profissionais liberais e funcionários de lojas que cobram a flexibilização da abertura da indústria e do comércio.

Por causa da grande quantidade de manifestações, a reportagem procurou a administração para saber quais são os planos para reabertura das empresas. Por telefone, o prefeito Dilador Borges afirmou que a reabertura só será possível se toda a sociedade se unir para respeitar a quarentena. “Temos que nos unir para poder flexibilizar”, disse.

Ontem, a Prefeitura de Araçatuba ingressou com recurso no TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), contra a decisão de anulação do decreto que flexibilizava pequena parte do comércio. Hoje, espera-se que o governo do Estado lance um plano de flexibilização, mas como Araçatuba não atingiu ainda o índice mínimo de adesão à quarentena, deverá ficar de fora desta primeira etapa.

O senhor tem planos para promover a reabertura do comércio e da indústria?

Temos que entender que vivemos em uma democracia, que há uma hierarquia de poderes. É uma pirâmide. No topo, está o governo federal. Depois, vem o governo do Estado e as prefeituras estão na base. Não temos poder de decisão. A Justiça funciona assim, nesta lógica. Não adianta eu ou o outro prefeito querer reabrir. Não temos este poder.

O senhor havia publicado um decreto, mas a decisão foi anulada pela Justiça. Pensa em publicar outro?

O decreto que publicamos, no meu entender, não fere ao decreto estadual, tanto que hoje (ontem) ingressamos com um recurso no Tribunal de Justiça.
Mas sou um legalista e devo respeitar a decisão da instância jurídica. A decisão neste caso cabe ao governo do Estado. E não é porque somos do mesmo partido, o PSDB, que temos que pensar iguais. Às vezes discordo dele, e ele pode discordar de mim. É a democracia. Por mim, haveria uma flexibilização relativa.

Como o senhor, como prefeito, então, pode agir em favor dos empresários e dos trabalhadores?

Estamos fazendo tudo o que está em nosso alcance. O que pudemos fazer para postergar a cobrança de impostos, como o IPTU (Importo Predial e Territorial Urbano), fizemos. Também criamos, recentemente, uma comissão de notáveis, com representantes da indústria, do comércio, das universidades e do poder público para encontrar soluções, apontar caminhos.

O comitê “Retoma Araçatuba”, que está fazendo um diagnóstico da situação atual e vai apontar caminhos para a retomada do crescimento.

E qual o efeito o prático, até agora, deste comitê?

Fizemos uma reunião ao longo desta semana. A nossa secretária de Saúde, Carmem Guariente, participou trazendo informações técnicas, da ciência, importantes. Chegamos à conclusão de que todos devemos nos unir, agora. Aumentar nossa capacidade de adesão à quarentena.

Temos que nos unir para poder flexibilizar. E nossa condição atual me preocupa. As pessoas têm saído às ruas. A gente vê as praças cheias de pessoas no final de semana. São adultos, com crianças e cachorro. Parece
um piquenique. Temos que nos conscientizar, fazer nossa parte.

Como a quarentena tem afetado a administração?

Esta pandemia afetou o mundo todo. O empresário, o administrador público, o trabalhador, no planeta todo. Não tem como fugir dos seus efeitos. Na prefeitura não é diferente. Desde que assumimos, no entanto, adotamos um modelo de corte de gastos, renegociação de contratos e uso da máquina pública de forma racional. E isso nos deu alguma solidez para enfrentar este período com bases mais fortes.

Como acredita que Araçatuba vai sair deste período?

Em relação a tempo, vai depender da ciência. Ela que vai definir as ações políticas, que repito, virão da parte de cima da pirâmide de tomada de decisões. Mas temos que aprender com as situações da vida, principalmente as que apresentam dificuldades.

Espero que tudo passe o mais rápido possível, que a gente vença este período mais fortes, solidários e de olho nas oportunidades que vão surgir com o reaquecimento da economia.

A Prefeitura pretende criar, por meio do “Retoma Araçatuba”, mecanismos de incentivo aos investidores. Mas, por ora, temos que fazer nossa parte, aderindo à quarentena.

Qual a mensagem que o senhor deixa para a sociedade neste momento?

Que cada um faça a sua parte, que fique em casa quando puder. Só saia na rua em situação real de necessidade. Só quando a gente tiver consciência, aumentar nosso índice de adesão à quarentena, vamos começar a criar as condições para a flexibilização. O poder está na atitude individual de cada um.

 

Fonte: Folha da Região