Mais de 90% dos casos em Araçatuba são por transmissão comunitária

Em Araçatuba, o número de casos positivos do novo coronavírus (covid-19) já chegou a 44, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20), pela prefeitura, sendo que destes, apenas 1 é considerado importado, os demais pacientes foram contaminados através de transmissão comunitária. Isso significa que, diferente dos casos de transmissão local, não é possível identificar a origem da contaminação. Na transmissão local, sabe-se que uma pessoa se infectou pelo contato com outra, que contraiu o vírus após ter estado em região em que há contágio. Já na transmissão comunitária ou sustentada, não se consegue mais mapear a cadeia de infecção e saber quem foi responsável pela contaminação dos demais.

Analisando os dados, nota-se que diferentemente do que aconteceu em países como a Itália e a Espanha, em Araçatuba, pessoas mais jovens, entre 27 e 40 anos, ocupam a maior faixa dentre os casos positivos de covid-19, cerca de 40% do total. O menor percentual está com o considerado grupo de risco dos idosos (60 a 84 anos), que representam 22,8% dos contaminados. A faixa etária intermediária entre o menor e o maior percentuais dos casos positivos é formada por pessoas que estão entre os 41 e os 59 anos, que representam 37,1% em relação ao total de contaminados.

Um outro ponto analisado é que dos 44 casos confirmados em Araçatuba, 24 são em pacientes do sexo feminino e 20 do sexo masculino.

No começo de abril, um estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista) apontou Araçatuba como uma das 13 cidades com maior risco para a propagação no estado de São Paulo. O levantamento indicou a necessidade de medidas mais rígidas de isolamento no local.

TRANSMISSÃO COMUNITÁRIA

Especialistas afirmam que a transmissão comunitária é um estágio considerado alarmante, por indicar que a circulação do vírus pode estar difusa, não havendo mais um raio restrito de contaminação. Isso potencializa os riscos de transmissão e dificulta o controle da covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

Nesse contexto, ressaltam os especialistas, as medidas de isolamento social e os cuidados sanitários que têm sido amplamente difundidos ganham ainda mais importância. É preciso reduzir, ao máximo, o contato entre as pessoas e tornar rotineiras as ações preventivas, para minimizar a progressão do contágio. Estudos apontam que cada pessoa infectada contamina outras três.

Outro agravante é que a doença pode ser assintomática ou ter sintomas brandos em muitos casos, elevando o potencial de propagação. Nesse cenário, a preocupação é ainda maior com o grupo de risco (idosos, doentes crônicos e pessoas com baixa imunidade).

A contaminação dessa população mais suscetível às complicações da covid 19 pode provocar uma sobrecarga no sistema de saúde. Por isso, é preciso contar com a colaboração, solidariedade e espírito coletivo de todos. Não ser do grupo de risco não isenta ninguém da responsabilidade para com toda a sociedade, informa a orientação dos especialistas.

 

 

Fonte: Folha da Região